A associação UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) realizará, no próximo sábado, pelas 15h, um leilão de arte, na Casa de Cultura de Paranhos. Esta iniciativa, designada “UMAR-TE assim perdidamente…”, tem por objectivo a angariação de fundos para o trabalho de prevenção da violência de género e violência doméstica.
Irão ser leiloadas obras de grandes artistas como Paula Rego, José Rodrigues, Agostinho Santos, Andrea Inocêncio, Roberto Santandreu. Para além de artistas já consagrados, temos também obras de jovens artistas que têm demonstrado capacidade inovadora.
As obras podem ser vistas a partir de sexta-feira às 19h, na Casa de Cultura de Paranhos, onde ficarão expostas até à data de realização do leilão.
Lembre-se que o propósito deste leilão ganha uma relevância particular, quando notícias recentes nos dão conta de novos casos relacionados com violência de género e violência doméstica. Recentemente, os serviços noticiosos revelaram que duas mulheres morreram às mãos dos seus (ex) namorados, pagando com a própria vida o preço por pretenderem redireccionar as suas vidas afectivas. Mortes evitáveis, se a sociedade como um todo se unisse para lutar contra um tipo de violência em relação à qual, tantas vezes, assume uma postura incompreensivelmente permissiva, aumentando de ano para ano a cifra assustadora que este mal assume no nosso país. Estudos indicam que uma em cada três mulheres foi ou ainda é vítima de violência doméstica, um mal à porta fechada, mas que vitimiza mais do que o cancro.
É por isso urgente uma intervenção cuidada, que aja directamente nas causas de tal flagelo, seja pela transformação de uma cultura que tolera, ou até encoraja, a violência como forma de resolução de conflitos, seja pela acção sobre uma sociedade discriminatória, transformando atitudes e comportamentos sedimentados numa cultura da força e da virilidade, ainda sedimentada num padrão masculinizante de poder. Nesta convicção, a Umar tem trabalhado ao nível da prevenção da violência sobre as mulheres, mas também no apoio em contexto às vítimas, formando técnicas(os) aptos a lidar com formas de violência ainda silenciados (sexual, económica, psicológica e emocional). Esta intervenção sistemática é a única forma de mudar atitudes e comportamentos com os quais a sociedade dos dias de hoje não pode transigir.
Para que mulheres e crianças possam viver e crescer em segurança numa cultura de paz, é urgente apoiar, seja pelas acções de solidariedade pontual seja pelo voluntariado, o trabalho de associações como a Umar. É por isso importante o apoio de todas e de todos os que, como os(as) artistas que associaram o seu nome a esta causa, consideram que a luta por um mundo mais justo não é tarefa alheia.
O centro de atendimento funcionará na rua do paraíso, 250.
Fonte: UMAR
